Francisca Jorge (Foto: Beatriz Ruivo/FPT)
Fevereiro 19, 2026

Francisca Jorge: “Naquele momento deixou de ser a minha adversária e voltou a ser a minha irmã”

Mais serena depois de ter deixado extravasar as emoções em court, quando viu a irmã Matilde Jorge ser assistida e abandonar o campo, desistindo do décimo duelo internacional entre ambas, Francisca Jorge transpôs em palavras que lhe ia na alma, ciente de que, pela terceira vez num WTA125, vai discutir o acesso às meias-finais, esperançada de ter, esta sexta-feira, jornada dupla, significado de que a lesão da irmã não é impeditiva de disputarem um lugar na final de pares deste Women’s Indoor Oeiras Open II:

“Acho que entrei bem, fiz para ganhar aquele primeiro set, mas não deixa de ser a minha irmã mais nova. Conhecendo bem a Matilde, percebi que se passava algo ali, que eu não sabia. Ela não tinha comentado nada comigo, para não me preocupar. Era uma dor que já tinha sentido, na semana passada. Somos atletas e estas coisas acontecem”

Sobre ter-se aproximado quando Matilde estava a ser assistida no chão:
“A primeira coisa que me disse foi ‘acho que não devias estar aqui’. E o Marco [Romão, referee] respondeu-lhe ‘se há alguém que pode é ela’. Já falei com ela depois disso e percebi que a ligadura não melhorou drasticamente a dor e que não valia a pena correr o risco de agravar. Do ponto de vista profissional, tomou a decisão certa.

As lágrimas incontidas:
“Fiquei emocionada, porque percebi que ela estava emocionada. Temi que tomasse um curso que ela não queria. Deixou de ser a minha adversária para ser a minha irmã. Acabámos por jogar mais um jogo e aí tive de ver a Matilde como adversária. Foi muito difícil gerir tudo aquilo. Quando me apercebi que ela não estava bem, tive aquela reação de lágrimas”

Rotinas antes do embate:
“Falamos uma com a outra até quase meia hora antes do encotro. Não estávamos às gargalhadas, ela fez-me uma pergunta qualquer e estávamos à conversa. Por volta das 12.30 horas, cada uma foi para o seu canto. Vivemos juntas, mas cada uma tem o seu quarto. Fiz o meu trabalho de preparação e ela o dela. A meia hora do encontro, cada uma vai faze a respetiva ativação. Temos muita experiência, não há segredos, somos irmãs e é tudo muito natural.”

Pares:
“A recuperação da Matilde o dirá. Fico triste que não tenha conseguido competir, mas a prioridade são os singulares. Se fosse outra adversária, a Matilde teria tido a mesma atitude. Amanhã, logo se vê. Tenho um encontro pela manhã, mas espero que seja um dia jornada dupla”